Por Sérgio Fernandes

O rio-pardense é por natureza ufanista e extremamente bairrista, quando fala em Rio Pardo. Nossa história alimenta diversos sentimentos, que até podem parecer arrogância ou prepotência. Na verdade somos um povo cortês, hospitaleiro e muito orgulhoso. Temos orgulho da Tranqueira Invicta e de tantas passagens históricas, como a composição do Hino Riograndense em nossa terra. A primeira rua calçada do estado, ou ainda, em saber que fomos, mesmo que por somente 24h, capital do império. Como não carregar estes sentimentos. Quando me lembro da riqueza da nossa história, é impossível conter o ufanismo. A Capital do Sonho, sempre nos fez sonhar com o dia que vamos retornar. Voltar as nossas origens.

No entanto, nos últimos dias, o sentimento é de vergonha, por todos os escândalos políticos. No momento em que o mundo é assolado por uma pandemia, quem governava e deveria ser exemplo, está envolvido em acusações de desvio de recursos públicos. Dinheiro que deveria ser investido, principalmente na saúde. A água que deveria imunizar as históricas ruas da cidade, deverão agora lavar o calçamento enxovalhado pelo lamaçal da corrupção. E fica a pergunta: onde estavam aqueles que deveriam fiscalizar? Onde estavam aqueles que deveriam proteger o patrimônio público? Onde estavam os vereadores?

Meus sentimentos de amor e respeito pela cidade em que nasci, Rio Pardo, e a cidade em que moro, Butiá, continuam inabalados, mas a ligação de alguns dos envolvidos, com estas duas cidades nos levam as mais diferentes reflexões. Este é um ano eleitoral, e mais do que nunca, precisamos ser mais seletivos. Não podemos votar no candidato, só por que é nosso amigo. Se não for competente, continuará nosso amigo, mas não poderá ser nosso vereador ou prefeito. O escândalo de Rio Pardo é igual ou menor que muitos outros que já foram patrocinados nas mais diferentes cidades deste país. No entanto, nos atinge com mais força, pela proximidade e por nossa ligação.

Que este episódio sirva de lição para todos, indistintamente. Independente do estado ou cidade deste país continental. Se alguém pode mudar esta situação, somos nós eleitores. Nosso voto é mais forte e poderoso que as paredes e as grades das celas onde estão os acusados de corrupção. Nosso voto é capaz de devolver tudo aquilo que os maus políticos nos tiram diariamente.  Nosso voto precisa ser nossa resposta e a confirmação de que, como eleitores, aprendemos a lição.