Por Fernanda Ripoll Cavalheiro

Achei engraçado quando fui questionada esses dias acerca das novidades, afinal, seria quase impossível ter algo novo a compartilhar considerando a nossa rotina dos últimos tempos, pensei. A resposta foi algo nesse sentido, demonstrando meu total “azedume” (termo usado pela minha mãe ao descrever alguém que está com o humor num grau não tão elevado).

“Mas tu não tá escrevendo uns textos?” perguntou meu amigo, sempre tranquilo ao falar. É, pensando bem eu tinha algo inédito para contar. Logo após esse “tapa na cara” percebi que eu estava fazendo algo que detesto: reclamar. De todas as formas de protesto, a reclamação é a mais inútil. A simples manifestação do descontentamento não altera nossa realidade, pelo contrário, nos impede, muitas vezes, de enxergar aprendizado em meio à crise.

Não somos perfeitos, somos seres em constante desenvolvimento, buscando dominar essa arte que é viver, que é conviver da melhor forma com os outros e, principalmente, com a gente mesmo. Durante essa construção, provavelmente passaremos por crises existenciais até mesmo porque, considerando a realidade que vivemos, não só esta atual de coronavírus, é complexo manter-se equilibrado.

Mas um dia aprendemos que ativar o modo tiranossauro rex (termo usado por mim para descrever uma pessoa que está temporariamente incapacitada de resolver os problemas de forma inteligível) não é a via adequada para tornar os dias mais agradáveis. Que viver bem nos exige exercícios diários de tolerância, paciência e autocontrole, para não sucumbirmos a crises de estresse e ansiedade.

É como se fôssemos um armário cheio de gavetas e para cada momento da vida devêssemos saber o compartimento certo a abrir. A gaveta da força para os dias difíceis, da paciência para os momentos de espera, da fé para os tempos de desesperança. Só não dá para reclamar, não dá para tornar isso um hábito. Reclamar é um ato contrário ao de viver. Estar vivo já deveria nos impedir de reclamar.

Sempre há tempo para construir um futuro melhor, começando por hoje. A felicidade não deve ser adiada, nunca. Se um sonho maior não pode ser alcançado agora, tente um menor. Não pode resolver? Tente uma conversa, uma música, um vinho. Faça as pazes, perdoe, se perdoe. Reinvente-se, reconstrua-se, reencontre-se, quantas vezes forem necessárias “não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez”, tente mil vezes, só não reclame, só não desista.