Por Dorotéo Fagundes de Abreu

Gildo de Freitas em 1953/1954, conhece Teixeirinha, com quem estabeleceu entre 1955/1959  “uma parceria completa, dessas em que se mergulha de pé, cabeça, tripa, mondongo e tudo”. Sobre essa parceria, Nico Fagundes no jornal Zero Hora escreveu que um duelo de versos entre Gildo e Teixeirinha, podia durar horas e muitas vezes ficava sem vencedor. Lamentavelmente não existe nenhuma gravação com estes duelos, imagine o valor histórico que uma gravação dessa teria hoje! Por volta de 1955 Gildo muda-se para o bairro Passo do Feijó em Alvorada, e abre seu primeiro bolicho.

 Dado o declínio dos programas de rádio ao vivo em auditórios, em 1961/1962 larga a profissão de trovador e resolve ser produtor rural, criador de porcos. Mas como seu talento era o de artista, logo volta e compõe a música Cobra Sucuri, que Teixeirinha gravou em 1963. Em 1964 Gildo viaja à São Paulo para gravar seu primeiro LP, “Gildo de Freitas o Trovador dos Pampas”, com os clássicos Acordeona, Baile do Chico Torto, História dos Passarinhos e Que Jeito têm a Mariana, provocando o Pedro Raimundo. Em 1965 é lançado o segundo LP “O Trovador dos Pampas - Vida de Camponês” entre outras músicas estava Baile de Respeito que é a primeira música gravada pelo Gildo em provocação ao Teixeirinha. Mantendo o ritmo em 1966 é lançado o terceiro LP “Desafio do Padre e o Trovador, onde Gildo trovou com o então padre Rubens Pillar, que foi Prefeito de Alegrete e Deputado Estadual, ainda tinha outros sucessos como Definição dos Grito e também a presença de uma resposta ao Teixeirinha.

 Gildo em alta, muitas viagens, mas volta e meia precisava ficar hospitalizado devido aos problemas nas pernas e no pulmão. Em 1968 chega o quarto LP “Gildo de Freitas e Sua Caravana” e segue as provocações e respostas ao Teixeirinha. Em 1969 é lançado o quinto LP “De Estância em Estância” com mais uma provocação ao Teixeirinha “Resposta da Milonga”, uma provocação ao sucesso do Teixeirinha que era “Milonga da Fronteira” e a briga e da sucesso aos dois, a tática era evidente pois até hoje as trocas de versos deles geram polêmica. A década de 70 marca o auge de Gildo de Freitas e as brigas com Teixeirinha começam a esquentar, não mais como marketing e sim de verdade, que desfez a amizade.

 Entre 1970 e 80 ele gravou mais oitos LPs, com sucessos como o Ídolo e Rei do Improviso. Mas seguem as complicações de saúde e até capa de disco ele fotografou no Hospital e reza a lenda que até fez Baile para alegrar a doentada por lá. Em 1977/1978 é inaugurada a churrascaria Gildo de Freitas em Viamão e nesse tempo ainda existia o Rodeio Gildo de Freitas, onde a ginetes disputavam quem ficava mais tempo em cima dos cavalos “velhacos”. Em 1981 ele grava o LP Rei dos Trovadores e segue os contratempos com a saúde, a briga com Teixeirinha é amenizada um pouco mas não impediu a “Resposta da Adaga de S”. Em 1982 faz sua última gravação, o LP “Figueira Amiga” pela continental, com a última provocação ao Teixeirinha com a música “Que Negrinha Boa” e com a música Figueira Amiga. Em novembro de 1982 pela mão de Ivan Trilha é levado à participar do Galpão Crioulo da RBS-TV, sendo essa sua última aparição televisiva.

 Mas sua trova final foi em São Borja em data e local desconhecido, nessa apresentação fez versos em uma apresentação de mais de oito minutos praticamente se despedindo, cantando assim: ...eu não vim pra essa terra, Pra dar pesar pra ninguém, Eu queria cantar sorrindo, ver vocês sorrindo também...., ...Eu vou parar não roubo espaço, porque têm outros valores,  Que são assim que nem eu, Nasceram para ser cantores. Essa trova ficou conhecida como “Mensagem Final” que está gravada em CD de nome “Rodeio Gildo de Freitas – Mensagem Final” da Usa Discos lançado em 2001. Então como pressentido, o Grande Gildo de Freitas morreu em 4 de dezembro de 1982 e foi sepultado dia 6 em Viamão no cemitério velho. Curiosamente Teixerinha morreu também nesse mesmo dia, 3 anos depois. Assim foi e viveu nosso ídolo trovador, um homem do bem, gaúcho, talentoso e valente como poucos.

 Para pensar: Com dizia Gildo, “Home feio sem corage não possui mulher bonita” e nem vence na vida!