Por Sérgio Fernandes Cavalheiro

Em quaisquer circunstâncias, os pais devem ser guardiões e protetores de seus filhos. E não existe uma data de validade para prevalecer esta máxima. Quem gera, cuida e protege sempre. Não é possível arrancar este sentimento que está perpetrado na figura dos pais. E assim, muitas vezes, não se consegue concordar com a ação desesperadora de um pai ou mãe, na proteção do filho. Mesmo não concordando se entende, pois é quase uma LEI DA VIDA. E nem se fala em preservação da espécie.

Por outro lado, não é permitido em hipótese nenhuma, confundir a vida pública com a vida privada. Quando um chefe de governo, não consegue mais distinguir sua obrigação de proteger as normas constitucionais e os desvios de conduta dos entes mais próximos, caminhamos a margem da Lei. Quando se presta um juramento, junto a bandeira da nação e seu conjunto de leis, a Constituição, não é possível fechar os olhos para erros cometidos, inclusive por filhos. Por maior que seja o sentimento de proteção. Primeiro é preciso defender todos os filhos da nação, depois os próprios filhos.

Se existir crime, quem o cometeu deve ser responsabilizado e penalizado conforme o regramento jurídico. Um presidente não pode ficar refém dos atos dos filhos. É preciso mostrar equilíbrio, serenidade, responsabilidade e isenção, quando se tem o compromisso de governar. Muito já se falou que os filhos poderiam causar mais estragos ao Governo Bolsonaro que a própria oposição. Desde a sua posse, o Chefe da Nação, Jair Bolsonaro, constantemente precisa defender o filho senador, por improbidades cometidas quando Deputado. Nada foi confirmado até agora, mas com certeza houve ilicitudes, caso contrário o PF não estaria investigando e prendendo suspeitos.

Outro desgaste para a família presidencial e para o governo. Mesmo que até agora não exista nenhuma ação contra os atos presidências, nenhum escândalo em seu governo, os prejuízos são enormes, quando precisa agir como pai e não como presidente. Bolsonaro viverá até o desfecho do Caso Queiroz, mais um momento difícil no seu governo. Um problema que não foi ele quem criou, mas é responsável pelo “criador” de problemas. Para cuisar do filho, Jair Bolsonaro não pode deixar órfão o país.