Por Dorotéo Fagundes

No dia 7 de agosto, marca mais um aniversário da Colonia Rizicola Nº2, em São Marcos, localidade em que se deu início ao plantio de grande escala do arroz em Uruguaiana, município considerado atualmente a maior lavoura orizicola do Brasil, fazendo do Rio Grande do Sul, o maior Estado plantador de arroz da federação.

Segundo estudiosos o arroz data de mais de 12 mil anos, não se sabendo o certo se é da Ásia ou África, o que importa é o grandeza desse pequeno cereal que alimenta o mundo há tantos milênios, que chegou no Brasil em 1500 na frota de Cabral, e que em 1530 já se tinha registro dessa cultura, expandindo-se de 1587 na Bahia a 1745 ao Maranhão, fazendo surgir o primeiro engenho descascador em 1766 no Rio de Janeiro. Toda via, algo de surpreendente e curioso nessa história é que, antes da chegada dos portugueses, os nosso índios já conheciam o que temos por arroz, chamando de “abat-uaupé” o milho d’agua.

Com isso, retrocedendo na história humana, considerando que há 12 mil anos findou a última era glacial, também chamada de era antropológica, (período em que os humanos atravessaram os oceanos congelados), dos que vieram para cá migrados da Ásia, nos permite inferir que eles nessa milenar expedição, foram quem trouxeram o arroz tido como milho d’agua dos nossos tupis.

No Rio Grande do Sul, o botânico francês Auguste Saint Hilaire, que andou por aqui em 1820 a 21, registrou a ocorrência do cereal no Estado, porém fora a partir de 1824, os alemães colonizadores de Santa Cruz do Sul e Taquara, os primários empreendedores nessa cultura,  até que em 1904 em Pelotas, surgiu a primeira lavoura empresarial nos moldes que a conhecemos, se expandindo da Zona Sul até à Fronteira Oeste, (motivado pelo IRGA, Instituto Rio Grandense do Arroz), originando em julho de 1943 a Colônia Rizicola, na Vila São Marcos de Uruguaiana, localidade que estamos homenageando pelo aniversário e pelo Dia dos Pais, em culto das famílias pioneiras e ás que nesses 77 anos, ostentaram e ostentam o orgulho de fazerem parte da história do arroz gaúcho e brasileiro, que sustenta o Estado, o Brasil e o mundo.        

Eu tive o privilégio de viver dois lindos anos da minha adolescência na Vila São Marcos, (5º Distrito de Uruguaiana desde 1959), graças ao meu pai, o velho chefe escoteiro – Dorotéo Oliveira de Abreu, primeiro diretor do projeto Cidade dos Meninos da FEBEM em São Marcos no ano de 1974, projeto que arrancou muito bem, mas as vaidades locais da época   impiedosamente a destruíram. Tendo ainda meu velho sido por lá, Subprefeito e pequeno plantador de uma safra que a enchente do Rio Uruguai levou da Vila São Marcos, que nasceu plantando arroz, colhendo e mandando para o mundo, como seus filhos. Vida longa aos pais arrozeiros do meu pago, a benção e gratidão meu Pai, que viveu até agosto de 2015, vivendo no meu Rancho Dourado em Eldorado do Sul, na várzea de Sans Souci que outrora fora lavoura de arroz, de Nestor Jardim e de Guaíba!


 


Para pensar: O homem é uma planta que caminha semeando, e colhe cedo ou tarde na vida, justamente a safra que plantou!