Por Fernanda Ripol Cavalheiro

Setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul... Um movimento colorido para conscientizar as pessoas a respeito da prevenção de doenças. Acho a campanha extremamente importante, embora não saiba se existe uma pesquisa que comprove que a mobilização cause um impacto efetivo na vida das pessoas. Explico: em outubro do ano passado, de maneira informal, interroguei algumas colegas de trabalho e amigas questionando se estavam em dia com os exames preventivos, por exemplo, e a resposta em muitos casos foi negativa, embora tenha notado muitas delas usando blusa rosa em homenagem à campanha.

Iniciamos um novo mês e já no primeiro dia de setembro percebi muitos textos e imagens tratando acerca do suicídio. Li que nas últimas décadas houve um crescimento constante nos casos, principalmente entre os jovens. Conforme a OMS, o Brasil está em oitavo lugar entre os países com maior número de suicídio e o Rio Grande do Sul tem a maior taxa. Os números, longe de coloridos, nos mostram a realidade nua e crua, em preto e branco, assim como são os dias de muitas pessoas que tiram a própria vida.

Temos fragilidades gritantes no nosso país, mas elas não fazem barulho. Nossa democracia é fraca, não contamos com uma apurada capacidade de argumentação, principalmente os jovens, poucos escutam, poucos têm posicionamento autêntico e muitos são apenas repetidores de informações. Quando não temos autonomia e, especialmente consciência, não desenvolvemos nosso papel como seres humanos, como cidadãos, deixamos de evoluir e de construir um lugar melhor. Nossa cultura é violenta e reproduzimos isso com muita naturalidade. E o que isso tem a ver com o suicídio?

Especialistas e as próprias pesquisas mostram que as principais causas de suicídio estão associadas a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, bullying, violência sexual e doméstica. Terapia resolve sim, muitos desses problemas, mas, as pessoas precisam entender que a solução nunca se limitará a uma clínica ou remédios. Não há profissional ou remédio que cure uma sociedade doente. E, goste ou não de pessoas, você é obrigado a essa dura tarefa de conviver com seres, surpresa! Iguais a você.

Volto às fragilidades e digo que o nosso principal erro é remediar e não prevenir. Vou bater sempre na mesma tecla da educação. Se tivéssemos uma educação de qualidade e aí incluo a educação emocional, muitas vezes esquecida, certamente não teríamos tantos problemas, tanta violência: na forma de pensar, sentir e agir. Não adianta laços coloridos nas redes quando na maior parte dos dias nossas palavras e atitudes destilam egoísmo, ódio, intolerância, preconceito e, portanto, violência. É isso que precisamos tratar, é isso que nos torna doentes.

Mais do que ter voz, precisamos ter falas verdadeiras, autênticas e comprometidas. Além da voz, precisamos ter capacidade de ouvir, de perceber e compreender o outro. E isso quem ensina? A vida. A nossa tarefa mais difícil, mas também a mais incrível. Não desista dela, jamais!