Por Fernanda Ripol Cavalheiro


Dia de Finados, oficialmente instituído pela Igreja Católica no século XIII, sempre significou para mim um dia triste, em que as pessoas rezam pelos mortos e levam flores ao cemitério. Sei que no México, por exemplo, a celebração de origem indígena, conhecida como Dia dos Mortos, é festejada com alegria e comida, pois seria em tese, o dia em que os mortos teriam permissão divina para visitar seus parentes. 

 

Dito isso, ressalto o quanto um mesmo fato pode possuir significados completamente distintos para culturas também diversas. Afinal, quem não visualizou durante essa quarentena, o vídeo dos homens dançando enquanto carregavam um caixão? O ritual fúnebre de Gana, nos convida a repensar a morte como uma celebração (lá em razão do tempo de vida) e talvez porque ela não signifique o fim. 

 

Sobre minha própria perspectiva com relação à morte, confesso que já mudou e muito. Cito uma coincidência que me uniu a mais dois colegas na sexta série: nós três não conseguíamos superar a perda dos nossos avós. Eu entendia a dor deles, pois era a mesma minha. Hoje compreendo que todo aquele sofrimento jamais mudaria algo que é a única certeza do ser humano: de que iremos todos morrer. 

 

Não acredito ser possível não sofrer diante da perda de um ente querido, mas creio que é possível sim, entender a morte como uma etapa da vida, como um começo em outro plano. Talvez em razão do nosso apego à matéria, sentimos muito a ausência física, embora muitas vezes desprezemos a presença dos que amamos, enquanto os temos conosco. Por isso não vejo sentido em cemitérios, para mim não há nada lá, além de matéria e tristeza. 

 

Inclusive, penso que devemos urgente e seriamente repensar os nossos cemitérios, pois, embora algumas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente, a maioria é fonte potencial de contaminação ambiental em razão do necrochorume. Uma boa dica da herança que deveríamos deixar: um meio ambiente seguro, saudável e sustentável. Isso sim é eterno! Nós, mortais que somos, estamos aqui só de passagem.