Por Dorotéo Fagundes

A primeira vez que vi um livro desse brilhante poeta, eu tinha talvez cinco anos de idade, era o livro de cabeceira da minha mãe (Cecília Fagundes de Abreu), o reconheci depois de adulto, pela capa que tinha um tronco com as correntes do tempo da escravatura, livro intitulado SENZALA BRANCA, que vi nos sebos em Porto Alegre, uma leitura obrigatória aos que gostam de poesias com tema social, de linguajar regionalista gaúcho.

 

Santo Amaro é um romântico lugarejo de pescadores açorianos que formou-se em 1750 as margens do Rio Jacuí, pelas mãos do General Gomes Freitas de Andradas, que montou ali um armazém de abastecimento aos portugueses que subiam rumo as missões. Em 1773 o povoado açoriano foi elevada à categoria de Freguesia, que em 1809 cai para distrito de Triunfo e em 1849 vai ser distrito de Taquari, até que em 1881 é declarado município com o nome de Amarópolis, que com a fundação de General Câmara em 1939, volta a categoria de distrito da nova cidade como Santo Amaro do Sul.

 

O nome Santo Amaro deriva da igreja construída em estilo barroco, elevada em culto ao santo, monge discípulo de São Bento, sendo a quarta igreja construída no Rio Grande do Sul, inaugurada em 1787 e foi nessa vila que nasceu em 1773 o ex presidente da República Rio-grandense, José Gomes de Vasconcelos Jardim e em 6 de janeiro de 1918, o gaúcho Lauro Pereira Rodrigues, nosso homenageado, que teve profícua vida a serviço do pago como poeta, escritor, jornalista,  radialista pioneiro de programação regionalista gaúcha em 1935, pelo programa Campereadas na Sociedade Rádio Gaúcha de Porto Alegre, foi político eleito como vereador da Capital, deputado estadual e federal do Rio Grande do Sul, criou e apresentou na Rádio Farroupilha em 1958 o programa diário, Roda de Chimarrão, das 8h30 ás 9h30, que também foi da Rádio Difusora, precursora da atual Rádio Bandeirantes, que segundo contam está nas garras dos chineses.

 

Na bibliografia deixou-nos nove obras literárias, sendo de ciência política os títulos: Aniversário da Revolução Farroupilha, Rio Grande do Sul Terra e Povo, A Evolução do Homem e Decadência da dignidade, mais cinco livros de poesias, intitulados, Invernada Vazia, Minuano, A Ronda dos Sentimentos, publicados em 1944 pela editora Globo, Senzala Branca publicado em 1958 pela editora 3 Xirus e A Canção das Águas Prisioneiras em 1978.

 

Noto que o título desse último livro do fabuloso Lauro Rodrigues, foi uma espécie de prenúncio de sua morte, de fato acontecida em 17 de novembro de 1978, como vítima de um naufrágio, de uma pequena embarcação a motor, com mais cinco pessoas, na travessia do Rio Jacuí, com ventos fortes, quando voltavam de sua estância, em comemoração da reeleição a deputado federal.

        

Assim tragicamente se foi o poeta camperiar na estância grande do céu, ficando seu corpo nas águas do rio com cinco companheiros e companheiras, que morreram ouvindo a canção das águas prisioneiras, preconizada pelo poeta naquele ano fatídico ao grupo de amigos e seu fim de vida. 

 

Para pensar: Todos temos um tempo certo de vida aqui na terra, uns anunciam sem saber o seu dia da partida, assim ocorreu com nosso Lauro Pereira Rodrigues!