Estamos cansados, todos. Uns da contumaz alienação, outros da extenuante indignação, mas, no fim das contas, em certo grau e de alguma maneira nos encontramos esgotados. É uma exaustão prévia, sequer chegamos à fase da batalha e não se engane o gigante não acordou. Não adianta bater panela, a maioria dorme, em berço esplêndido, e não faz questão de acordar. Assistimos atônitos a uma avalanche de absurdos, porém, abancados.

Quantas vezes falamos da mesma coisa? Quantas vezes repetimos os mesmos erros? É cansativo, eu sei, mas ainda precisamos falar, refletir e tentar impactar de alguma forma, necessitamos ao menos de uma mínima consciência coletiva, para que amanhã as pessoas entendam o que realmente signifique “salvar uma nação”. De novo e porque é importante reiterar, não adianta bater panela e vestir-se de verde e amarelo, isso não nos faz gigantes.

  Segunda-feira fez dois anos do crime ambiental em Brumadinho, em novembro, cinco do de Mariana, e o que aprendemos? Nem a dor consegue nos despertar. Erramos todos. A exploração irresponsável que nos destrói é alimentada pela nossa própria omissão, não só pela ganância de outros. O sofrimento social experimentado pelas pessoas das regiões devastadas foi causado pelas nossas mãos também, estamos sujos de lama, até o pescoço. E se você não se sente responsável, faz parte da maioria que foge à luta.

Nitidamente nossas tragédias não estão nos levando a uma evolução social. Quando uma região sofre e chora, seja pela lama, seja por falta de oxigênio, deveríamos todos buscar e cobrar solução ou ao menos, certo grau de reparação. O poder emana do povo, podemos exercê-lo diretamente ou por meio daqueles que elegemos para nos representar. Ou seja, somos todos responsáveis: quando negligenciamos, quando somos imprudentes nas nossas escolhas e quando optamos por ocupar cargos de representação sem que tenhamos o legítimo compromisso de servir. 


E pra não dizer que não falei do leite condensado, ele é mais um na fila do debate. Feito aqueles parlamentares teatrais em dia de discussão, parte de nós desperdiça tempo e energia nesses embates via rede social. E a pauta é extensa: tem cloroquina, fila da vacina, tem lagosta (percebi que está em alta novamente), e tem mais um monte de coisas que nos deixam exauridos. Brasil, um sonho intenso, mas também adormecido, abatido e consumido, por alguns, sem piedade, como se fosse uma lata de leite condensado.