Vírus, vacina, doença, distanciamento, abre o comércio, fecha o comércio. Semana da mulher, poderia falar de grandes inspiradoras. Mas o assunto do momento é o vírus e ele não vai embora, ele se multiplica e agora sofre mutações, produzindo com isso as novas variantes, que nos forçaram enxergar que ele continua circulando por aí, que ele nunca esteve ausente e novamente temos consciência da nossa pequenez. Sim, somos pequenos diante do vírus e da nossa incapacidade de lidar com as mais diversas situações causadas por ele.

E só há uma coisa que nos torna grandes no meio dessa baderna instalada: solidariedade. Semana passada, li a história de uma menina que realizou um transplante de medula óssea, viajou mais de dois mil quilômetros para fazê-lo. Também li, sobre a Isabel, uma engenheira de Porto Alegre que cede seu apartamento para famílias de crianças que precisam de transplante de órgãos e que não possuem condições de custear hospedagem. Juro que, sem querer, já estou falando de histórias de mulheres inspiradoras.

Mas o vírus, o vírus não sai da cabeça da gente. Contudo, há vida apesar dele. Há meios de combatê-lo e todos nós, no fundo, sabemos como. Todavia a gente se faz de louco e fica inventando desculpas para não cumprir à risca o que deveríamos fazer. É uma visitinha, uma escapadinha, um abraço, uma viagem porque é verão e a gente segue arriscando. O problema é que a gente não arrisca só a própria vida, é uma (i) responsabilidade coletiva e estamos compartilhando o desfecho.

Solidariedade, cuja etimologia advém de “sólido e consistente”, é identificar-se com o sofrimento do outro, é cooperação mútua, é enxergar-se no outro. Fala-se muito em religião, Deus e em amor em vão, porque o retrato da santa ceia atual é um bando de gente que se acha “grande coisa”, lambuzando-se num banquete, cuspindo superioridade e nem um pouco preocupada com os demais. E todos sabem do que falo. A vida de aparências, de eleger o tratamento com o outro baseado no status social é nossa pior doença.

Só a solidariedade nos torna gigantes. Não é dinheiro, não é poder, não são nossos diplomas. Nosso corpo é matéria, nossa alma é eterna. O caminho mais significante a ser trilhado é aquele que solidifica os valores mais preciosos do ser humano, quem pode experimentar uma vida dessas consegue simplificar a existência. Somos pequenos e gigantes ao mesmo tempo e, para sermos grandes, precisamos de muito pouco, mas do essencial e o essencial, meus amigos, “o essencial é invisível aos olhos”, como já diria Exupéry.

Deixe seu Comentário