Quem, por uma porção de vezes, não repetiu que a vida está cada dia mais complexa, estressante e exigindo mais de nós? Algo de errado não está certo, como dizem os debochados. Somos constantemente bombardeados de informações, mas não temos tempo de processá-las, somos educados a colocarmos nossos interesses em primeiro lugar, nos tornando egoístas, viramos a sociedade do cartão de crédito: queremos tudo e agora, desfrutamos rapidamente e podemos pagar depois. Ansiamos por compreensão, mas não temos paciência de escutar o outro e sofremos frustrações causadas por expectativas criadas muito mais pelos outros do que pelas nossas próprias prioridades. O que está acontecendo conosco?

Não ouso diagnosticar o mal que nos aflige, mas, caso tivesse que resumir em uma palavra sobre a nossa maior deficiência chutaria a palavra EQUILÍBRIO.  Dizem por aí que somos feitos de carne e osso, prefiro a teoria quadridimensional: somos corpo, mente, coração e espírito. Um corpo bem cuidado exige uma harmonia entre estilo de vida e prevenção de doenças e não obedecer a padrões da moda. Uma mente sadia, se alimenta de leituras profundas, de educação constante, não de entretenimento. Ouvir verdadeiramente as pessoas e poder oferecer nosso apoio traz uma enorme satisfação ao coração, ao passo que utilizar dos relacionamentos para favorecer nossos interesses, nos diminui. E, por fim, espiritualidade é a nossa relação com Deus e com a mensagem universal que ele nos deixou, não com religião.

Equilibrar tudo isso talvez seja o nosso grande desafio de vida. Afinal, de nada adianta alguém ser capaz de administrar uma grande empresa e não conseguir gerenciar o próprio tempo. Esse é o exemplo de conflito que pode resumir nossas deficiências. “Cada um sabe a alegria e dor que traz no coração”. Todos temos um câncer dormindo dentro de nós, mas também somos dotados de diversos mecanismos que nos permitem contê-lo. A ausência de estabilidade torna o terreno favorável a doenças do corpo, da mente, do coração e do espírito. A vida não é um jogo é uma espécie de graça e, como tal, deve ser encarada e desfrutada com autonomia. Que saibamos conciliar nossas dores, amores, alegrias e dissabores, aplicando valores próprios nos nossos comportamentos e nas relações com os outros.