Certa vez alguém me disse para que nunca desistisse dos meus sonhos, pois sabia que dentro do meu coração havia um bocado deles e, segundo a sua experiência, eu teria força e coragem suficientes para realizá-los. Nunca esqueci o conselho, tampouco a professora: Elizabeth Lenzzi. Antes mesmo de me dar aulas, já a conhecia por meio de relatos de alunos, os quais na maioria das vezes a descreviam como uma professora exemplar e rígida na mesma medida.

Recordo do primeiro dia em que nos encontramos já como aluna e professora, quando ela solicitou à turma que fizesse um exercício dirigindo algumas perguntas aos colegas. Boa parte da classe limitou-se a questionar aos demais acerca das férias e assuntos corriqueiros. Mal terminei de pronunciar a primeira ou segunda pergunta que fiz para minha dupla, interrogando-a sobre o que mudaria no mundo, caso tivesse esse poder, para que ela, empolgada, desse de mãos na mesa. Segura que era, pensei: “ferrou, não entendi o exercício, viajei”...

Nada disso. Séria, desabafou que esse tipo de indagação era o que ela esperava de nós, algo que nos fizesse pensar. Ganhei meu dia e ainda mais, percebi que aquela professora, tão temida e admirada, reconhecia meu esforço. Desde então pude experimentar aulas inesquecíveis e cuidadosamente elaboradas de português. Percebi que a fama não era em vão, realmente a professora Beth sempre será referência. O que talvez ela não saiba é que, no meu caso, ela fez muito mais que ensinar a língua portuguesa.

“Devemos dizer a quem merece o que nos faz crescer, enquanto temos tempo”, frase escrita por ela a respeito da professora Sulamita, para a qual fez um agradecimento na sua antiga coluna. Hoje faço o mesmo e só o faço porque lá atrás tive alguém que me preparasse para muito além de enfileirar palavras. Serei eternamente grata a essa professora incrível, que nos deu a oportunidade de um aprendizado único. Exigente? Muito e com toda a razão, pois nos retribuía em dobro, sempre à frente do seu tempo e nos proporcionando o melhor.

Duvido que alguém tenha esquecido as regras de crase, as estrelinhas no caderno, as leituras obrigatórias, o “ao quadro fulano” - nos chamando pelo sobrenome, as orações ao início das aulas, os trabalhos que nos exigiam criatividade: vídeo simulando um programa de perguntas e respostas – recordo que replicamos o “Show do Milhão”, encenar propaganda eleitoral ou vendas de telefone celular, paródias de músicas e as tantas atividades que ela preparava e corrigia com tanta dedicação. Concordo com a senhora, as coisas boas não devem ser guardadas para nós somente e sempre devemos expressar a nossa gratidão a quem fez e faz diferença na nossa existência. Obrigada, professora Beth!