Por Dorotéo Fagundes

Há muito os folcloristas do quilate de Paixão Cortes, Nico Fagundes, nos advertiam que as festividades juninas no Brasil deviam ocorrer em cada estado com suas característica regionais, mas infelizmente os colégios padronizaram o evento nacionalmente, numa temática caipira que ridiculariza nossos irmãos paulistas e mineiros rurais, como se fossem uns retardados por serem do campo, quando deveriam valoriza-los. A simplicidade, a originalidade, nada tem a ver com essa caricatura de idiota imposta aos caipiras.

O fato é que aqui, mesmo com tantas matérias publicadas na imprensa, nos livros, por nossos folcloristas, ensinando como se cultua as três datas juninas no Rio Grande do Sul, as pessoas em geral, desobedecem as orientações e caem na vala comum, dado as festanças nordestinas que a grande mídia promove, destruindo a possibilidade de cada região brasileira fazer do seu jeito as festas juninas.

Dia 13 foi de Santo Antônio, quando se faz fogueira quadrangular e se pula fazendo pedidos para achar sua alma gêmea; Dia 24 foi de São João, aí se faz a fogueira redonda no dia 23, ás 18 horas, com alegria a noite inteira e fogos de artifícios depois da meia noite, pra acordar o aniversariante e no dia 24 continua, se faz uma mesa farta para os pobres; Dia 29 de São Pedro a pedra fundamental da igreja e São Paulo a primeira coluna, festeja-se com uma fogueira triangular, que representam Pedro, Paulo e Cristo na fé dos dois que eram como um só e morreram igualmente martirizados;

A cultura das fogueiras vem de muito longe à se comemorar as colheitas e fazer rituais pela fertilização da terra, em oferendas aos deuses, egípcios, sumérios, celtas, bascos e romanos tinham essa prática. Na Roma antiga se fazia a festividade junoninas pela deusa Juno, que o catolicismo incorporou no seu calendário como joaninas por São João, para cativar os pagãos, (campeiros moradores dos pagus), tendo sido primeiramente festejado na França, Itália, Espanha e Portugal. Quem trouxe essa cultura para o Brasil, foram os padres jesuítas, que inclusive registraram em 1603, que nossos índios já festejavam esse período em culto a agricultura, nos mesmos moldes que no paganismo europeu, com oferendas, danças e pajelanças, à diversos deuses, mas como eles eram adeptos as novidades de além mar, logo aderiram o motivo cristão do momento junino, no padrão que conhecemos.

Assim recomenda-se aos rio-grandenses curtirem as festas juninas de roupas tradicionais gaúchas, junto de suas danças, culinária, brincadeiras folclóricas, como pau de sebo, corrida do saco, do ovo na colher; em quermesses com rifas, pescarias, tiro ao alvo, cadeia do amor, metendo canha, vinho, quentão, limonada com mel e ou suco de uva para a gurizada; dançando as danças folclóricas como o pau de fita, pezinho, maçanico, balaio e ritmos regionalistas da vaneira, vaneirão, xote, bugiu, valsa, milonga e rancheira; comendo arroz carreteiro, paçoca de xarque, galinha crioula assada e frita, ovelha na panela, pratos esses acompanhados de bata doce, pães de ló e milho, pipoca, amendoim, rapadura e pé-de-moleque; deixando idêntica a universalidade das fogueiras, das bandeirinhas, que tem a mesma simbologia em todo o mundo cristão.

Então que Santo Antônio case quem queira casar e não se separem, que São João batize quem não foi batizado e que São Pedro e São Paulo, abençoe a fé dos crentes, reforce a fé dos que tem pouca e traga fé aos que não tem.

            Para pensar: Em qualquer circunstância o fogo é renovação, então que as fogueiras juninas, renove a fé cristã em todos os corações!