Por Dorotéo Fagundes

 

Duas almas fronteiriças, dois poetas de valor, dois gaúchos de respeito que deixaram profundas marcas no lombo da nossa cultura, em rimadas estórias e histórias que foram nos ensinado o devido cuidado que devemos ter para com a terra, no sentido do lugar onde nascemos ao lugar no espaço da terra no cosmos, que Deus sabiamente os largou nestas plagas, no mês de janeiro da década de 1940, para iniciar bem o ano da gauchada.

 

Guido de Jesus Machado de Moraes nasceu na localidade de Cerro Branco, 1° Distrito de Lavras do Sul, no dia 10 de janeiro de 1941, foi o ante penúltimo filho de uma ninhada de oito irmãos, cria

de Orival Garibaldi Moraes, ex-tropeiro e funcionário do DAER, e de Olívia Machado Moraes, professora rural e poetisa, de quem herdou o dom de poeta e professor. Em 1948 a família Moraes foi residir em Bagé, quando em 1951, o guri ingressou no Seminário dos Reverendos Padres Capuchinhos, donde permaneceu até completar o 2º ano de Filosofia, vindo a formar-se na Fundação Universidade de Bagé, instituição na qual também cursos Letras e lecionou História da Filosofia, Psicologia Experimental, Ética, Teodiceia e Estética, além de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Em 1963 ingressou no Magistério Público lecionando Língua Portuguesa e Literatura, Francês, Inglês e Latim. Como músico, poeta e compositor, atuou em diversos grupos artísticos, consagrando-se vencedor de vários festivais poéticos e musicais nativistas no Rio Grande do Sul, e publicou dois livros de poesia, Fronteiriço e Canto Pampa.

 

Em sua rica vida cultural, deu importante contribuição na política gaúcha como vereador em Bagé de 1972 a 1976, tendo depois exercido cargos estratégicos em delegacia e coordenadoria estadual de educação, até que em 17 de março de 2008 aos 67 anos, foi lecionar nas escolas do céu, deixando mulher, filhos e netos enlutados, saudosos e orgulhosos pela vida de nosso ente querido gaúcho Guido Moraes, com quem tive o privilégio de convier em uma das edições do Festival da Barranca em São Borja.

 

E foi nessa cidade missioneira que justamente nasceu, nosso segundo homenageado pelo aniversário, José Hilário Ajalla Retamozo, que veio a furo em 13 de janeiro de 1940, sendo uma espécie de remanso, (lugar num rio que parece quieto, mas que em baixo esta revolto), esse era o espirito do Retamozo, um inquieto homem sereno, que influenciou várias gerações de poetas regionalistas, servindo como um dos mais brilhantes soldados da gloriosa Brigada Militar, que lhe fez coronel, depois de ter comandado diversas regiões. Eu o conheci quando comandava o quartel de Uruguaiana como capitão, e a convite dele em 1977 estreei na Califórnia da Canção como músico instrumentista em suas obras, Arroz Carreteiro (cantada por Carlinhos Castilhos) e O Tesouro do Jesuíta, pelo Grupo Terra Viva de Santo Ângelo, festival que em 1974 em sua 4ª. edição, Retamozo já a tinha vencido com Canções dos Arrozais.   

 

Além de sua brilhante carreira militar, foi esplêndido intelectual, escritor, poeta, ensaísta, professor, agitador cultural, declarado por Aparício Silva Rillo, (outro gigante das letras), como o verdadeiro tesouro dos jesuítas. Lançou uma dezena de livros, fundou e presidiu a Estância da Poesia Crioula, foi membro da Academia Rio-grandense de Letras, diretor do Instituto Estadual do Livro, detentor da medalha Simões Lopes Neto do governo estadual gaúcho, por que suou a farda e suas pilchas sempre em defesa da cultura deste pago, até que a maldita Diabete e o Alzheimer, encerraram sua linda história terrena, no dia 19 de setembro 2004, às 15h15, aos 64 anos, em Porto Alegre. Sendo sepultado no dia mais importante para a história rio-grandense, no Dia do Gaúcho e na capital de todos os gaúchos.

 

Para pensar: Os poetas são reveladores dos mistérios da vida, ditados pela alma, quem duvida que os leiam e os entendam, para não perderam o caminho da felicidade!