Passamos mais um janeiro, é fevereiro, e há um ano o COVID19 já andava nas plagas brasileiras de chapéu tapeado, enquanto ao bel prazer da grande mídia e dos políticos irresponsáveis, a Nação seguia embriagada de carnaval.

Mas como não faltassem os sem escrúpulos na saúde, num período pandêmico, ressurgiu em janeiro deste ano o vírus mal são da canalhice, faqueando a cultura histórica gaúcha na polêmica sobre a letra do hino rio-grandense, patrocinada por políticos que se nutrem jocosamente nesse campo das hipóteses, fazendo interpretações caluniosas ao sentimento gaúcho do tempo farroupilha, acusando nossos heróis revolucionários de conspirarem contra seus ideais de liberdade, igualdade e humanidade, por terem composto e cantado, o que cantamos até hoje: “Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”.

Eis aí nessa frase uma verdade que o espírito mais leviano sabe, mas preferem outra vez levar aos nossos irmãos afrodescendentes, essa campanha difamatória farroupilha, mal intencionada e completamente fora de contexto, num momento que nos obriga a união, os urubus da tradição resolvem criar cisão social, gerando preconceito histórico que felizmente a virtude da negritude rio-grandense, na maioria não caiu nessa armadilha, levantando-se contra a covarde intriga.

Aprofundo-me no que a história real nos conta, aos que ignoram e aos que ideologizados se fazem de leitões vesgos, pra mamarem em duas tetas ou de frango morto pra passearem de Kombi! Aqui ergo um parêntese, para deixar bem claro, que não compactuo com as correntes políticas vigentes, porque meu conceito de política é o inverso do que existe aí extremado, (sou republicano, livre, de bons costumes e lamento muito pelos que não o são), e aos que se rotulam fanaticamente de esquerda, de direita, de centro, lembro que a política devia estar a serviço do povo, da nação e não dos caprichos de cores partidárias e interesses privados.

A luz do verso do nosso hino, em nada foca e se relaciona na diminuição de qualquer raça que tenha sido escravizada na história humana, prática essa inaceitável, que vem do velho Egito ao nosso tempo e foi combatida pelos Farroupilhas, como muito bem diz no verso de Colmar Duarte, (eles morreram para que aqui jamais fossem escravos os que nasceram de ancestrais farrapos). Tanto é verdade que Giuseppe Garibaldi, só aceitou criar e pelear na Marinha Farroupilha, porque não encontrou nos propósitos revolucionários farrapo a escravidão humana, razão pela qual negou-se pelear na revolução Norte Americana, que mantera em sua filosofia a escravidão do negro.

Não há registros na história farrapa de atitudes cruéis, nem contra o feroz inimigo, a não ser a da boa luta, como por exemplo na retirada de São José do Norte em 1840, quando mesmo com o inimigo dominado, o Gen. Bento Gonçalves da Silva, para desentocar os soldados imperiais das casas do povo, lhe foi sugerido tocar fogo na vila, bradou que: “Se nossa vitória depende de matar inocentes, vamos bater em retirada”, e o fez, inclusive deixando medicamentos aos feridos, colocando a República Rio-grandense em cheque mate, pois a conquista do porto era vital ao desenvolvimento do novo país, que precisava ter saída para o mar.

Alguém pode exclamar: Ah mas teve o episódio de Porongos! Outra mentira criada na atualidade, o que se passou por lá, foi uma tirana armação de Chico Pedro de Abreu, contra o General Davi Canabarro, de quem nunca ganhara um combate e buscava revanche, vingança, daí covardemente atacou o acampamento dos Lanceiros Negros, porque sabia que o General Davi estava lá em festa com seus liderados, desarmados pelo armistício da pré paz de Ponche Verde, que estava escrita e faltava assinar, e que tinha num dos artigos a manutenção de todos os soldados farroupilhas em seus postos e soldos, no exército imperial a serviço do Brasil. Mas como o império não aceitava negros em suas tropas, Chico Pedro com ou sem o aval de Caxias, preferiu resolver dois problemas numa única ação, vingar-se de Canabarro e exterminar a coluna de soldados negros-libertos, o que cabalmente derruba a tese, não menos infame, dos que tributam aos farroupilhas o dito massacre de Porongos uma traição aos Lanceiros Negros, quando a traição fora do Império ao armistício, (acordo que suspende hostilidades entre inimigos em guerra), que abateu não mais de 10% do contingente republicano de seus 1200 homens acampados em folga, ao que cabe indagar, de qual massacre reclamam os defensores do genocida Lenin?

Existem outros episódios que revelam o bom caráter dos Farroupilhas, que nos falta espaço a relatar agora, ao que sugiro lerem fontes de historiadores honestos, porque na ciência histórica não há espaço para ideologismos, ranços políticos e falácias, os Farrapos em nunca traíram seus ideais, em nunca abateram inocentes, eram inclusive por isso, chamados de ingênuos por Duque de Caxias.  

De fato a virtude do nosso hino é luz que encandeia as trevas e liberta os espíritos encráticos, viciosos, aprisionados pelo mal, por isso esses de agora, querem inverter os valores sublimes do nobre Hino Rio-grandense.             

Para pensar: A maior arma da maldade é a mentira, pela falta de virtudes, por isso só os maus escravizam e são escravos de si mesmos!