Em que parte do caminho está o tal futuro?  Dele ouvia falar quando era criança, pensando que a vida estava lá, no futuro. Muitos desejavam um atalho, na pretensão de chegar mais rápido, eu, medrosa, pedia baixinho para que o tempo passasse devagar. Mas de tanta curiosidade, um dia, aprendemos a querer apressar certas coisas, especialmente as ruins.

De forma prática, a vida me mostrou que o futuro, na verdade, é só uma projeção. Nossos sonhos e expectativas, embora combustíveis a nos mover, podem não se concretizar. Só temos o hoje, o pedaço de dia que faz o presente e isso é bem maior e mais valioso que qualquer possibilidade futura. Uma pena só compreendermos isso, de que a vida é esse exato momento com todas as suas alegrias e dores, com o passar do tempo e com as perdas.

Ainda repetimos a bobagem de perguntar às crianças sobre o que serão quando crescerem, sendo que somos “alguém” desde o dia que apontamos o nariz nesse mundão. Não deveríamos despertar nos pequenos essa angústia precocemente, as idealizações infantis são muito diferentes das nossas, adultos.

Criança é com pouco feliz e esse teria que ser nosso maior desejo: de que nossas crianças fossem felizes. Infância deveria ser um período sagrado: de amor, carinho, proteção e respeito. Nada melhor virá que o amor dado hoje, a atenção dispensada agora, a mão estendida quando preciso, o instante compartilhado com cumplicidade. Criança necessita disso, o resto são enfeites trazidos “do futuro” para distraí-las do que realmente importa.

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