Dando buenas me espalho lembrando como está no Livro Agenda Gaúcha 2022, (de edição 2023 distribuída com a história da Erva-mate e do Chimarrão), que dias 16 é do Reservista e do Teatro Amador; 20 da Bondade e do Mecânico; 21 do Atleta e dos Artistas Profissionais. Assim grato a Deus por escrever e ser lido, o invoco para dizer sobre UM FESTIVAL DE GAITEIROS.
 
No fim de semana passada, com o ônibus de apoio das cavalgadas farroupilhas, me dirigi acompanhado da prenda, ao FIG – 1º Festival Internacional de Gaiteiros, que revolucionou o MERCOSUL, pois brotaram gaiteiros de todos os recantos para esse comício das gaitas que as ondas da Lagoa dos Patos e da mídia presente fez atravessar o pampa, o oceano, tanto que até agora os animais pampeiros e os bichos das águas, estão dançando chamame, xote, vanerão, baião, sinalizando que só vão parar no ano que vem.
 
Brincadeiras a parte, realmente esse evento foi algo inusitado, lindo, que entrelaçou as fronteiras sul americanas pela gaita botonera, pelo acorden, bandoneon, acampanhados de violões, contrabaixos, flautas, percussões e cantos, extraordinárias, exibindo e revelando os talentos das nossas terras, entendam Brasil, Uruguai, Argentina.
 
Os promotores do evento, foram da mágica Fábrica de Gaiteiros, liderada por Renato Borguetti, que dispensa comentários, mas a sua invenção não, eu acho esse projeto da fábrica algo divino por tudo que é que fez e que vai fazer, pois ali se moldam numa visão social e cultural, grandes músicos da gaita, que somam em torno de 400 alunos no Rio Grande do Sul, empregando instrutores que quando não estão no palco, estão nas aluas, nas oficinas.
 
O lugar é outro sonho, banhado pelas águas do maior reservatório de água doce do planeta a céu aberto, a Lagoa dos Patos ou de Los Patos como dizem los hermanos, lamento apenas que os patos não apareceram na linda praia, e não vão, porque a história diz que eram os extintos indígenas da tríbo dos patos que habitavam primitivamente aquela região e por isso o nome.
 
Na volta da Fábrica de Gaiteiro gravitam bares e restaurantes, mas durante o evento aconteceu uma incipiente feira gastronomia e de artesania, que promete muito, o que vai engrossando o fluxo econômico regional, garantindo sustentabilidade aos nativos e comerciantes de visita.
 
A cidadezinha Barra do Ribeiro, se agigantou e muito bem organizada, limpa, segura, simples, amadrinhou o evento dispondo sua bela arquitetura de prédios do fim do século XIX e início do século XX, bem cuidados, que guardam nas paredes das velhas charqueadas, o berro dos bois que despertaram com o som das gaitas e mansamente subiram pra o campo do céu, gerando um novo amanhã.
 
Vida longa ao FIG, parabéns barrenses, que sigam fabricando gaitas e sons, pois nelas e no sonido, estão os sonhos da gurizada.           
 
Para pensar: O despertar da alma de um gaiteiro depende da gaita e ela, dos dedos do gaiteiro!